É pra fazer um balanço? Ah! Então boralá, né????

Oi,
Bem, são 3:00 da manhã de um dia atrás de mais 2 dias corridos e estafantes por
coisinhas que aconteceram, mas que já passaram pq Deus é mais...
Enquanto espero um download e a chuva passar pra eu sair da edícula do meu irmão,
já que eu li uns lances por aí e um balanço mais que ridículo de uma das pessoas...
Que bem, mais pra frente vcs verão o que eu penso...
Enfim, vou começar a falar algo que tem um pouco de sentido para todo um balanço de final
de um ano turbulento, de muito trabalho e de coisas acontecidas, mudanças e tudo mais.
Mudanças, erros, acertos, ganhos, perdas, mas de uma coisa eu tive uma certeza tão grande que
jamais me arrependerei de TUDO que fiz:
Tenho nojo de pessoas vis, interesseiras, e que se acham mais do que são.
Pois é, por eu ter virado uma imensa página de 2 ou 3 anos de uma erva (uma?
várias) daninha de minha vida, ou seja, de companhias que não tinham nada a
acrescentar na minha vida, a minha vida andou, tive muito trabalho esse ano.
Posso dizer que foi o ano em que mais trabalhei e ganhei dinheiro, no balanço
dele como um todo, não isolados os últimos meses, não.
Isso se deve a simplesmente abominar a idéia de ficar olhando pra trás.
Olhar um passado recente que até tô me desvinvilhando de uma forma difícil,
mas estou.
Não me arrependo de ter virado as costas pra essas pessoas, sabe pq?
Pq pra mim a vida evoluiu a partir de meu trabalho, de vida real, e essas
pessoas continuam pensando que evoluir é ficar atrás de artista que nem sabe
quem elas são, muito menos saberia quem eu seria, ao contrario, me detestaria.
Ou seja, tenho amor próprio, detesto falsidade e interesse pra cima de mim.
Então, no balanço de perdas e danos, os danos, decepções, pesares são demais,
mas meu ano foi de verdade, REAL, e não uma fantasia de minha cabeça, não
um surto e ilusão.
Minhas viagens são pra seguir amigos, parentes, ir pra casa de pessoas que me
amam de verdade.
Compro presentes pros meus entes queridos, em aniversários e datas especiais entre
família.
Sou da turma do abraço, sim, mas não pisa no meu calo, que eu chio, entende?
E isso ninguém pode tirar e deixar de querer entender.
Por isso, acho que se tentaram me atingir com um texto PÉSSIMAMENTE REDIGIDO,
podem se decepcionar, que além de me inspirar a escrever um texto de verdade e não
pedaços de um português péssimo (ai OAB, pelo amor de Deus, vai liberar advogada que
eskreve axim, naum, neh?), cheio de clichês e gírias virtuais e dessa juventude alienada
fora de si, que só sabe pegar "fotenha" pra fantasiar uma realidade em fotolog...
Eu tenho sim, os meus, mas só posto o que tem meu de verdade, NÃO MONTAGEM, ILUSÃO E IRONIAS
PRA CHEGAR E PEGAR NO PÉ DOS OUTROS...
Por isso, entro esse ano, pensando em mim, em meus verdadeiros amigos, em meus pais,
na minha família e digo, que todos devem ser assim, e aos que estão do outro lado,
eles que tb cuidem bem dos seus e não dêem mole, pq nossa, esse povo não é fácil.
Bjs

:: Postado por Cris Passinato às 03:20 AM
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Que coisa mais linda isso!!!!

Que coisa mais linda...

http://www.cesarcamargomariano.com

http://www.cesarcamargomariano.com/MerryChristmas05.html

http://www.cesarcamargomariano.com/Haveyour.wav.mp3 - Vocal - Luisa Mariano (e ela não é filha da Elis, ein?)

 

:: Postado por Cris Passinato às 01:49 AM
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Kinga Shinnen

:: Postado por Cris Passinato às 07:01 PM
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Ano Novo!

"O Ano Novo ainda não tem pecado:
É tão criança...
Vamos embalá-lo...
Vamos todos cantar juntos em seu berço de mãos dadas,
A canção da eterna esperança."

*Mário Quintana*

******************

:: Postado por Cris Passinato às 06:56 PM
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:: Postado por Cris Passinato às 06:46 PM
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Eu...

Pois é, podem até não acreditar em mim, mas eu pelo menos, acredito e sei que eu sou de verdade, lamento pelos que não enxergam o que está diante dos seus narizes e vêem mto mais do que deveriam simplesmente olhar.
Bjs

Cliquem em mim, ahahaha, na foto, né?

ahahahahaha

Bjs

:: Postado por Cris Passinato às 04:20 PM
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FELIZ ANO NOVO!!! SALVE 2006!!! Com Drummond!

RECEITA DE ANO NOVO
(Carlos Drummond de Andrade)

Para você ganhar belíssimo Ano Novo...

Não precisa fazer lista de boas intenções para arquivá-las na Gaveta.

Não precisa chorar de arrependimento pelas besteiras consumadas nem parvamente acreditar que por decreto da esperança a partir de Janeiro as coisas mudem e seja claridade, recompensa, justiça entre os homens e as nações, liberdade com cheiro e gosto de pão matinal, direitos respeitados, começando pelo direito augusto de viver.

Para ganhar um ano-novo que mereça este nome, você, meu caro, tem de merecê-lo, tem de fazê-lo novo,

Eu sei que não é fácil mas tente, experimente, consciente.

É dentro de você que o Ano Novo cochila e espera desde sempre.

Um maravilhoso Ano Novo para você !

:: Postado por Cris Passinato às 02:59 PM
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DVD : EU VI - HJ

O Quarteto Fantástico (Fantastic Four)
Elenco: Ioan Gruffudd, Chris Evans, Michael Chiklis, Jessica Alba, Julian McMahon.
Direção: Tim Story
Gênero: Ação
Distribuidora: Warner Bros
Estréia: 1º de Julho de 2005
Sinopse: No filme, o sonho de uma vida inteira do inventor, astronauta e cientista Dr. Reed Richards (Ioan Gruffudd) está prestes a se tornar realidade. Ele é o chefe de sua missão espacial, em direção ao centro de uma tempestade cósmica. Lá ele espera descobrir os segredos dos códigos genéticos do homem para o bem de toda a humanidade.

Maciços cortes de orçamento de pesquisa do governo quase acabaram com as esperanças desse homem visionário em fazer esse vôo histórico, até que Reed aceitou o financiamento de seu velho rival dos tempos de faculdade, Victor Von Doom (Julian McMahon), que agora é um industrial billionário.

A equipe de Reed nessa missão inclui seu melhor amigo, o astronauta Ben Grimm (Michael Chiklis); Sue Storm (Jessica Alba), a diretora de pesquisas genéticas de Von Doom e também ex-namorada de Reed; e o esquentado irmão caçula de Sue, o piloto Johnny Storm (Chris Evans). Com o benfeitor Von Doom na sua cola, os quatro partem para fazer a maior exploração de suas vidas.

A missão prossegue sem maiores surpresas - até que Reed descobre um erro de cálculo com relação à velocidade da tormenta que se aproxima. Em alguns minutos, a estação espacial é envolvida pelas turbulentas nuvens de radiação cósmica, o que acaba transformando a genética de toda a equipe. O DNA deles sofre uma mudança incrível... assim como seu futuro.

De volta à Terra, os efeitos de tal exposição são logo revelados. Reed ganha a habilidade de esticar e contorcer seu corpo em qualquer forma que ele possa imaginar e, como líder do grupo, ele ganha o nome de Sr. Fantastico; Sue é capaz de se tornar invisível e de criar e projetar poderosos campos de força e se torna a Mulher Invisivel; Johnny torna-se o Tocha Humana, já que ele agora pode cobrir seu corpo de chamas e sair voando para onde desejar; e Ben, cuja bizarra transformação é a mais chocante de todas, torna-se uma criatura rochosa, de cor laranja, com força sobre-humana, O Coisa.

Juntos, eles transformam a tragédia em triunfo e a catástrofe numa coalizão de forças, usando seus poderes únicos e extraordinários para pôr um fim nos planos malignos de seu inimigo, agora com olhar de aço e punhos de ferro, o Dr. Destino. e assim protegerem os cidadãos da cidade de New York contra qualquer ameaça que surja.

Astronautas. Super-heróis. Celebridades. Para o mundo, eles são o Quarteto Fantástico. Entre eles, são uma família.

Crítica: Breve

:: Postado por Cris Passinato às 02:06 AM
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OBRIGADA

Olá, gente, sei que todos ainda não vieram aqui ainda no meu scrap, mas os que já mandaram um alô me emocionaram e são tantos que não dá pra mandar um a um, então uso esse recurso mesmo pra agradecer a todos que lembraram e os que ainda estão por lembrar, até pq não quero parecer ingrata e nem vou ter tempo esses dias, principalmente hj que terá uma recepçãozinha familiar onde faremos um churrasco aqui em casa - do meu irmão e família - e, então aproveito e adianto o meu agradecimento de coração por lembrarem de mandar o meu parabéns pelo meu aniversário e quero aproveitar e ser tb grata por todo carinho de suas felicitações de boas festas e quero desejar em retribuição a todos tudo que me deram e mto mais, além de prometer que esse ano teremos muita poesia, aconteça o que acontecer, como me pediram esse ano todinho.
Um gde bjo, com carinho,
Cris Passinato

Feliz Natal!!!

:: Postado por Cris Passinato às 10:46 PM
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A MINHA BAILARINA

Ciranda da Bailarina

Chico Buarque

Composição: Edu Lobo / Chico Buarque

Procurando bem
Todo mundo tem pereba
Marca de bexiga ou vacina
E tem piriri, tem lombriga, tem ameba
Só a bailarina que não tem
E não tem coceira
Berruga nem frieira
Nem falta de maneira
Ela não tem

Futucando bem
Todo mundo tem piolho
Ou tem cheiro de creolina
Todo mundo tem um irmão meio zarolho
Só a bailarina que não tem
Nem unha encardida
Nem dente com comida
Nem casca de ferida
Ela não tem

Não livra ninguém
Todo mundo tem remela
Quando acorda às seis da matina
Teve escarlatina
Ou tem febre amarela
Só a bailarina que não tem
Medo de subir, gente
Medo de cair, gente
Medo de vertigem
Quem não tem

Confessando bem
Todo mundo faz pecado
Logo assim que a missa termina
Todo mundo tem um primeiro namorado
Só a bailarina que não tem
Sujo atrás da orelha
Bigode de groselha
Calcinha um pouco velha
Ela não tem

O padre também
Pode até ficar vermelho
Se o vento levanta a batina
Reparando bem, todo mundo tem pentelho
Só a bailarina que não tem
Sala sem mobília
Goteira na vasilha
Problema na família
Quem não tem

Procurando bem
Todo mundo tem...

:: Postado por Cris Passinato às 10:25 PM
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AONDE SE CHEGA PELA VENDAGEM

AINDA VOU LER ISSO, MAS

As aparências enganam

O que você faria se 1 milhão de fãs e outra multidão de desconfiados construíssem uma personalidade diversa de você mesmo? Maria Rita fez o seguinte: sentou-se em seu bar favorito, pediu um chope, lula à dorê e nos contou sua biografia (até hoje) não-autorizada

Por Emerson Gasperin

Em um desses arroubos de quem bebe, fala palavrão e se exalta — tipo todo mundo —, ela estica o braço e deixa escapar o ideograma no pulso esquerdo. Pergunto o que significa. "Luz", responde. Sentada à minha frente, Maria Rita contraria a imagem que a gravadora, a imprensa, os amigos e ela própria alimentam sobre Maria Rita. Como essa garota pode ser a mesma "cantora que não dá uma declaração sem estar cercada de assessores"? A mesma "menina tímida cujo talento foi mantido em segredo por esses anos todos"? Ela parece tão... à vontade. Tanto que, só para sacanear, duvido da explicação para o significado da tatuagem. Alego que pode ser qualquer coisa que o tatuador tenha inventado. Espero um sorriso de retribuição, um olhar aquiescente; tudo menos uma mina que entre no espírito e emende, aos risos: "É! Como a piada do bebum que foi fazer uma tattoo e o tatuador desenhou um p** enorme nas costas dele!".

Estamos em uma mesa no canto à direita da entrada do Genésio, na Vila Madalena, em São Paulo. Maria Rita sente-se em casa. O bar pertence a Helton Altman, que empresaria a carreira da cantora. Ocorreu aqui a festa que comemorou o lançamento de seu primeiro disco, em 9 de setembro de 2003, mesmo dia em que completava 26 anos. Nessa idade, sua mãe, Elis Regina, com quem sempre será comparada, já tinha quase 20 LPs no currículo e nem um décimo do aparato promocional da filha. A estratégia do "produto Maria Rita" chegou ao paroxismo quando incluiu, no kit distribuído à imprensa, um MP3 player iPod carregado com as músicas do disco Segundo. Encarado como tentativa de suborno, o mimo de 600 paus foi denunciado, condenado, esconjurado e, às vezes, devolvido. A ação (e seus desdobramentos) acabou sendo mais comentada do que aquilo que se propunha a divulgar. Para não parecer provocação, prefiro não usar o gravador digital, facilmente confundível com um iPod à luz fraca do recinto. (Bem, nunca falei com Maria Rita antes; vai que ela se ofenda e invalide os dez dias desde que Altman foi procurado para convencê-la a conceder uma entrevista para a BIZZ. Soa óbvio, a cantora nas páginas da revista de música. Mas com Maria Rita nada é...)

"Tomei rasteiras, sustos, fiquei triste... Hoje, tô me protegendo da melhor maneira possível. Se amanhã não for mais essa, a gente aprende de novo", diz ela, entre um chope, uma porção de bolinho de carne e o empresário, sentado à sua esquerda. Também estou acompanhado. Pelo editor, Ricardo Alexandre, que me cutuca por baixo da mesa para eu parar de falar sobre bebês com ela — Maria Rita, naturalmente, já aplicara a shantala em Antonio, de 1 ano e 4 meses — e ligar o cassete de uma vez.


 

Leia o texto completo na revista BIZZ 196. Já nas bancas.

http://www.revistabizz.com.br

:: Postado por Cris Passinato às 08:26 PM
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3 diassssss!

Happy bithday to me

Happy birthday to me

Happy birthday dear me

Happy birthday to me!

ihihihihhihih

:: Postado por Cris Passinato às 02:15 PM
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Dúvidas no download e PENSANDO...

Minha maneira de dizer FELIZ NATAL:

Copie, cole no seu navegador, vá até o final da primeira página que abrir e clique em FREE e quando aparecer a nova página espere 30 segundo e depois digite o código de verificação para salvar o arquivo e salvando o pequeno vídeo, assista-o, foi feito por mim esse clipe:

http://rapidshare.de/files/9489734/Filmenatalcris.wmv.html

Estou cada dia mais enojada com esse mundo podre e cão, porém ao mesmo tempo, em contrapartida, estou cada dia mais envolvida com gente de verdade, pois recebo o carinho e palavra amiga, resultados de gente que cresce comigo, e esse amor é o ingrediente mais que suficiente pra me dar vontade de continuar tendo a postura que assumo por mais que pareça esquesita, estranha, obsecada.
Se as pessoas são alheias às questões do mundo, não posso fazer nada, mas se as pessoas querem crescer e serem ajudadas, estou aqui, pra tentar trocar a cada dia e evoluir com elas, pra que possamos fazer um país, cidade, bairro, comunidade, classe, colégio, o que for mais feliz.
Acho que todo mundo tem uma missão no mundo, e eu tenho vontade de gritar, aqui dentro tem um monstro que tem vontade de se expandir e gritar de ódio quando vejo injustiça, coisa errada, feia e de alegria quando acontecem coisas boas e vencemos ou conquistamos algo de legal.
É por aí, não acredito que o mundo seja feito tão somente de pessoas que chegam de forma fácil a algum posto.
Nem quem chega de forma sacrificada fique pedante, pois se o tivesse sempre, seria um verdadeiro monstro.
Mas utopicamente acredito que as pessoas possam compartilhar de suas aprendizagens e humildemente galguem seus caminhos, deixando uma obra,
um legado, uma lição a quem ficar pela posteridade afora.
Tenho muito comprometimento com o que eu acho que é verdadeiro, com minha família, educação e princípios.

Bjs,

Cris Passinato

:: Postado por Cris Passinato às 02:12 PM
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Minha maneira de dizer FELIZ NATAL

clique e depois de salvar o pequeno vídeo, assista-o, foi feito por mim esse clipe:



:: Postado por Cris Passinato às 04:16 AM
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VOTE EM TODOS OS SEUS E-MAILS

:: Postado por Cris Passinato às 06:49 PM
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Historinha...

salve e aumente e leia, não dá pra ver, né?

Bjs

:: Postado por Cris Passinato às 05:41 PM
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TEXTO QUE ESCREVI PROS PERFIS DO ORKUT

Artista?
Poeta?
cantora?
Sei lá, dizem que sou tanta coisa, mas só me formei como química, e até agora só técnica, mas escrevo de vez em qdo uma ou 2 linhas em verso, rimando ou não, o povo curtindo ou não.
Mas de uma coisa tenho certeza: adoro ser uma pseudoartista desconhecida no meio do emaranhado do mar da rede, sabe pq? Não sou complicada e nem inacessível.
Sou complicada no meu jeito de ser, de lidar com o meu conhecer, de analisar o terceiro, o ser humano.
Não sou perfeita, mas me esforço demais pra lidar com as pessoas, ser educada e prestativa pra me deixar levar por pessoas que me mostram falsidade ou então desdenho.
Não sou assim, mesmo que me aborreçam, mesmo que me deixem nervosa, dou retorno ao ser humano, ao animal irracional, a não ser que ele me ataque, ehehehehe, mas dou carinho até a um peixinho dentro de um aquário, por isso detesto qdo isso acontece comigo, isso o quê? Ser tratada como um animal que nem ele merece ser destratado e ignorado.
Se dou carinho, gostaria de carinho em troca, se dou tristeza, peço carinho, se ataco, gostaria de explicações que me convecessem de que estou errada, sabe?
Não gosto de falar com um ou com outro e reparar que nem sou respondida, além de ignorada, ainda sou deletada, sem nem pq, e o engraçado que não vêem direto e dizem os motivos, se calam.
Isso dói e deixa cada dia mais desestimulada de manter contato e sequer manter em minha lista.
Entendam, isso é uma gde brincadeira, porém existem pessoas, com sentimentos dentro e por trás de cada uma desses fotinhos que são colocadas aqui nessa festa ou fantasia chamada ORKUT, e sinceramente, não tô pra ser trocada como se fosse figurinha, não sou celebridade de 5 minutos e nem me inscrevo em BBB pra isso, falou?
Bjocas a todos que me dão carinho que é recebido, mesmo que seja pelo odiado e tão falado "Meu Orkut"

:: Postado por Cris Passinato às 05:38 PM
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FELIZ NATAL

:: Postado por Cris Passinato às 05:25 PM
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Gente, eu tenho recebido mto carinho do Orkut, por e-mail, no Multiply e tal, vou viajar e avisei com antecedência e vou fazer aniversário daqui 11 dias e já recebo parabéns, hj.

Além disso, todo mundo já tá de férias e fechando suas finanças e encalacrando-se de dívidas e eu, por exemplo, tô trabalhando a cada dia, meus alunos pedindo aulas, e isso me deixa feliz e preocupada ao mesmo tempo, pois eles tão cada dia pedindo aulas mais em cima e sendo mais imediatistas e acumulando tudo pra pior época, isso tem que mudar, seria ano que vem o divisor de águas e meus alunos teriam mais preocupação com seus estudos e acompanhamento com mais programação, organização e estudar aos poucos para passarem direto?

Bjs

:: Postado por Cris Passinato às 11:47 PM
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:: Postado por Cris Passinato às 11:41 PM
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Faltam 11 diassss

:: Postado por Cris Passinato às 11:38 PM
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Parabéns para MiM!

Clique e leia o meu presente na Garganta!

:: Postado por Cris Passinato às 11:32 PM
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NATAL E ANO NOVO DA GARGANTA DA SERPENTE

Clique na árvore

Bom Natal e um Próspero Ano Novo.

:)

:: Postado por Cris Passinato às 11:26 PM
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Saudade dela... Dessa pessoinha linda...

:: Postado por Cris Passinato às 01:12 AM
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Morte Vida Severina - João Cabral de Melo Neto

O RETIRANTE EXPLICA AO LEITOR 
QUEM É E A QUE VAI 
 
 
  

— O meu nome é Severino,  
como não tenho outro de pia. 
Como há muitos Severinos, 
que é santo de romaria,  
deram então de me chamar 
Severino de Maria 
como há muitos Severinos 
com mães chamadas Maria, 
fiquei sendo o da Maria 
do finado Zacarias.  
  

Mais isso ainda diz pouco:  
há muitos na freguesia,  
por causa de um coronel  
que se chamou Zacarias  
e que foi o mais antigo  
senhor desta sesmaria.   

Como então dizer quem falo  
ora a Vossas Senhorias?  
Vejamos: é o Severino  
da Maria do Zacarias,  
lá da serra da Costela,  
limites da Paraíba.   

Mas isso ainda diz pouco:  
se ao menos mais cinco havia  
com nome de Severino  
filhos de tantas Marias  
mulheres de outros tantos,  
já finados, Zacarias,  
vivendo na mesma serra  
magra e ossuda em que eu vivia.   

Somos muitos Severinos 
iguais em tudo na vida:  
na mesma cabeça grande  
que a custo é que se equilibra,  
no mesmo ventre crescido  
sobre as mesmas pernas finas  
e iguais também porque o sangue,  
que usamos tem pouca tinta.   

E se somos Severinos  
iguais em tudo na vida,  
morremos de morte igual,  
mesma morte severina:  
que é a morte de que se morre  
de velhice antes dos trinta,  
de emboscada antes dos vinte  
de fome um pouco por dia  
(de fraqueza e de doença  
é que a morte severina  
ataca em qualquer idade,  
e até gente não nascida).   

Somos muitos Severinos  
iguais em tudo e na sina:  
a de abrandar estas pedras  
suando-se muito em cima,  
a de tentar despertar  
terra sempre mais extinta,   

a de querer arrancar  
alguns roçado da cinza.  
Mas, para que me conheçam  
melhor Vossas Senhorias  
e melhor possam seguir  
a história de minha vida,  
passo a ser o Severino  
que em vossa presença emigra.

:: Postado por Cris Passinato às 01:03 AM
::
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ENCONTRA DOIS HOMENS CARREGANDO  
UM DEFUNTO NUMA REDE,  
AOS GRITOS DE "Ó IRMÃOS DAS ALMAS!  
IRMÃOS DAS ALMAS! NÃO FUI EU  
QUEM MATEI NÃO!"  
  
   

— A quem estais carregando,  
irmãos das almas,  
embrulhado nessa rede?  
dizei que eu saiba.   

— A um defunto de nada,  
irmão das almas,  
que há muitas horas viaja  
à sua morada.   

— E sabeis quem era ele,  
irmãos das almas,  
sabeis como ele se chama  
ou se chamava?   

— Severino Lavrador,  
irmão das almas,  
Severino Lavrador,  
mas já não lavra.   

— E de onde que o estais trazendo,  
irmãos das almas,  
onde foi que começou  
vossa jornada?   

—  Onde a caatinga é mais seca,  
irmão das almas,  
onde uma terra que não dá  
nem planta brava.   

— E foi morrida essa morte,  
irmãos das almas,  
essa foi morte morrida  
ou foi matada?   

— Até que não foi morrida,  
irmão das almas,  
esta foi morte matada,  
numa emboscada.   

—  E o que guardava a emboscada,  
irmão das almas  
e com que foi que o mataram,  
com faca ou bala?   

— Este foi morto de bala,  
irmão das almas,  
mas garantido é de bala,  
mais longe vara.   

— E quem foi que o emboscou,  
irmãos das almas,  
quem contra ele soltou  
essa ave-bala?   

— Ali é difícil dizer,  
irmão das almas,  
sempre há uma bala voando  
desocupada.   

— E o que havia ele feito  
irmãos das almas,  
e o que havia ele feito  
contra a tal pássara?   

— Ter um hectares de terra,  
irmão das almas,  
de pedra e areia lavada  
que cultivava.   

— Mas que roças que ele tinha,  
irmãos das almas  
que podia ele plantar  
na pedra avara?   

— Nos magros lábios de areia,  
irmão das almas,  
os intervalos das pedras,  
plantava palha.   

— E era grande sua lavoura,  
irmãos das almas,  
lavoura de muitas covas,  
tão cobiçada?   

— Tinha somente dez quadras,  
irmão das almas,  
todas nos ombros da serra,  
nenhuma várzea.   

— Mas então por que o mataram,  
irmãos das almas,  
mas então por que o mataram  
com espingarda?   

— Queria mais espalhar-se,  
irmão das almas,  
queria voar mais livre  
essa ave-bala.   

— E agora o que passará,  
irmãos das almas,  
o que é que acontecerá  
contra a espingarda?   

— Mais campo tem para soltar,  
irmão das almas,  
tem mais onde fazer voar  
as filhas-bala.   

— E onde o levais a enterrar,  
irmãos das almas,  
com a semente do chumbo  
que tem guardada?   

— Ao cemitério de Torres,  
irmão das almas,  
que hoje se diz Toritama,  
de madrugada.   

— E poderei ajudar,  
irmãos das almas?  
vou passar por Toritama,  
é minha estrada.   

— Bem que poderá ajudar,  
irmão das almas,  
é irmão das almas quem ouve  
nossa chamada.   

— E um de nós pode voltar,  
irmão das almas,  
pode voltar daqui mesmo  
para sua casa.   

— Vou eu que a viagem é longa,  
irmãos das almas,  
é muito longa a viagem  
e a serra é alta.   

— Mais sorte tem o defunto  
irmãos das almas,  
pois já não fará na volta  
a caminhada.   

— Toritama não cai longe,  
irmãos das almas,  
seremos no campo santo  
de madrugada.   

— Partamos enquanto é noite  
irmãos das almas,  
que é o melhor lençol dos mortos  
noite fechada.  
 

:: Postado por Cris Passinato às 01:02 AM
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O RETIRANTE TEM MEDO DE SE EXTRAVIAR POR SEU GUIA, O RIO CAPIBARIBE, CORTOU COM O VERÃO 
 
 
  

——  Antes de sair de casa 
aprendi a ladainha 
das vilas que vou passar 
na minha longa descida. 
Sei que há muitas vilas grandes, 
cidades que elas são ditas 
sei que há simples arruados, 
sei que há vilas pequeninas, 
todas formando um rosário 
cujas contas fossem vilas, 
de que a estrada fosse a linha. 
Devo rezar tal rosário 
até o mar onde termina, 
saltando de conta em conta, 
passando de vila em vila. 
Vejo agora: não é fácil 
seguir essa ladainha 
entre uma conta e outra conta, 
entre uma e outra ave-maria, 
há certas paragens brancas, 
de planta e bicho vazias, 
vazias até de donos, 
e onde o pé se descaminha. 
Não desejo emaranhar 
o fio de minha linha 
nem que se enrede no pêlo 
hirsuto desta caatinga. 
Pensei que seguindo o rio 
eu jamais me perderia: 
ele é o caminho mais certo, 
de todos o melhor guia. 
Mas como segui-lo agora 
que interrompeu a descida? 
Vejo que o Capibaribe, 
como os rios lá de cima, 
é tão pobre que nem sempre 
pode cumprir sua sina 
e no verão também corta, 
com pernas que não caminham. 
Tenho que saber agora 
qual a verdadeira via 
entre essas que escancaradas 
frente a mim se multiplicam. 
Mas não vejo almas aqui, 
nem almas mortas nem vivas 
ouço somente à distância 
o que parece cantoria. 
Será novena de santo, 
será algum mês-de-Maria 
quem sabe até se uma festa 
ou uma dança não seria? 

:: Postado por Cris Passinato às 01:02 AM
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NA CASA A QUE O RETIRANTE CHEGA ESTÃO CANTANDO EXCELÊNCIAS PARA UM DEFUNTO, ENQUANTO UM HOMEM, DO LADO DE FORA, 
VAI PARODIANDO A PALAVRAS DOS CANTADORES 
 
 
  

  ——      Finado Severino, 
quando passares em Jordão 
e o demônios te atalharem 
perguntando o que é que levas..  

  ——      Dize que levas cera, 
capuz e cordão 
mais a Virgem da Conceição.  

——      Finado Severino, 
etc...  

——      Dize que levas somente 
coisas de não: 
fome, sede, privação.  

——      Finado Severino, 
etc...  

——      Dize que coisas de não, 
ocas, leves: 
como o caixão, que ainda deves.  

——      Uma excelência 
dizendo que a hora é hora.  

——      Ajunta os carregadores 
que o corpo quer ir embora.  

——      Duas excelências...  

——      ... dizendo é a hora da plantação.  

——      Ajunta os carreadores...  

——      ... que a terra vai colher a mão. 
 
 
 
  

CANSADO DA VIAGEM O RETIRANTE PENSA 
INTERROMPÊ-LA POR UNS INSTANTES 
E PROCURAR TRABALHO ALI ONDE SE ENCONTRA. 
 
 
  

——  Desde que estou retirando 
só a morte vejo ativa, 
só a morte deparei 
e às vezes até festiva 
só a morte tem encontrado 
quem pensava encontrar vida, 
e o pouco que não foi morte 
foi de vida severina 
(aquela vida que é menos 
vivida que defendida, 
e é ainda mais severina 
para o homem que retira). 
Penso agora: mas por que 
parar aqui eu não podia 
e como Capibaribe 
interromper minha linha? 
ao menos até que as águas 
de uma próxima invernia 
me levem direto ao mar 
ao refazer sua rotina? 
Na verdade, por uns tempos, 
parar aqui eu bem podia 
e retomar a viagem 
quando vencesse a fadiga. 
Ou será que aqui cortando 
agora minha descida 
já não poderei seguir 
nunca mais em minha vida? 
(será que a água destes poços 
é toda aqui consumida 
pelas roças, pelos bichos, 
pelo sol com suas línguas? 
será que quando chegar 
o rio da nova invernia 
um resto de água no antigo 
sobrará nos poços ainda?) 
Mas isso depois verei: 
tempo há para que decida 
primeiro é preciso achar 
um trabalho de que viva. 
Vejo uma mulher na janela, 
ali, que se não é rica, 
parece remediada 
ou dona de sua vida: 
vou saber se de trabalho 
poderá me dar notícia.

:: Postado por Cris Passinato às 01:01 AM
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DIRIGE-SE À MULHER NA JANELA QUE DEPOIS, DESCOBRE TRATAR-SE DE QUEM SE SABERÁ 

 
 
  

——  Muito bom dia senhora, 
que nessa janela está 
sabe dizer se é possível 
algum trabalho encontrar?  

——  Trabalho aqui nunca falta 
a quem sabe trabalhar 
o que fazia o compadre 
na sua terra de lá?  

——  Pois fui sempre lavrador, 
lavrador de terra má 
não há espécie de terra 
que eu não possa cultivar.  

——  Isso aqui de nada adianta, 
poucos existe o que lavrar 
mas diga-me, retirante, 
o que mais fazia por lá?  

——  Também lá na minha terra 
de terra mesmo pouco há 
mas até a calva da pedra 
sinto-me capaz de arar.  

——  Também de pouco adianta, 
nem pedra há aqui que amassar 
diga-me ainda, compadre, 
que mais fazias por lá?  

——  Conheço todas as roças 
que nesta chã podem dar 
o algodão, a mamona, 
a pita, o milho, o caroá.  

——  Esses roçados o banco 
já não quer financiar 
mas diga-me, retirante, 
o que mais fazia lá?  

——  Melhor do que eu ninguém 
sei combater, quiçá, 
tanta planta de rapina 
que tenho visto por cá.  

——  Essas plantas de rapina 
são tudo o que a terra dá 
diga-me ainda, compadre 
que mais fazia por lá?  

——  Tirei mandioca de chãs 
que o vento vive a esfolar 
e de outras escalavras 
pela seca faca solar.  

——  Isto aqui não é Vitória  

nem é Glória do Goitá 
e além da terra, me diga, 
que mais sabe trabalhar?  

——  Sei também tratar de gado, 
entre urtigas pastorear 
gado de comer do chão 
ou de comer ramas no ar.  

——  Aqui não é Surubim 
nem Limoeiro, Oxalá! 
mas diga-me, retirante, 
que mais fazia por lá?  

——  Em qualquer das cinco tachas 
de um bangüê sei cozinhar 
sei cuidar de uma moenda, 
de uma casa de purgar.  

——  Com a vinda das usinas 
há poucos engenhos já 
nada mais o retirante 
aprendeu a fazer lá?  

——  Ali ninguém aprendeu 
outro ofício, ou aprenderá 
mas o sol, de sol a sol, 
bem se aprende a suportar.  

——  Mas isso então será tudo 
em que sabe trabalhar? 
vamos, diga, retirante, 
outras coisas saberá.  

——  Deseja mesmo saber 
o que eu fazia por lá? 
comer quando havia o quê 
e, havendo ou não, trabalhar.  

——  Essa vida por aqui 
é coisa familiar 
mas diga-me retirante, 
sabe benditos rezar? 
sabe cantar excelências, 
defuntos encomendar? 
sabe tirar ladainhas, 
sabe mortos enterrar?  

——  Já velei muitos defuntos, 
na serra é coisa vulgar 
mas nunca aprendi as rezas, 
sei somente acompanhar.  

——  Pois se o compadre soubesse 
rezar ou mesmo cantar, 
trabalhávamos a meias, 
que a freguesia bem dá.  

——  Agora se me permite 
minha vez de perguntar: 
como senhora, comadre, 
pode manter o seu lar?  

——  Vou explicar rapidamente, 
logo compreenderá:  

como aqui a morte é tanta, 
vivo de a morte ajudar.  

——  E ainda se me permite 
que volte a perguntar: 
é aqui uma profissão 
trabalho tão singular?  

——  é, sim, uma profissão, 
e a melhor de quantas há: 
sou de toda a região 
rezadora titular.  

——  E ainda se me permite 
mais outra vez indagar: 
é boa essa profissão 
em que a comadre ora está?  

——  De um raio de muitas léguas 
vem gente aqui me chamar 
a verdade é que não pude 
queixar-me ainda de azar.  

——  E se pela última vez 
me permite perguntar: 
não existe outro trabalho 
para mim nesse lugar?  

——  Como aqui a morte é tanta, 
só é possível trabalhar 
nessas profissões que fazem 
da morte ofício ou bazar. 
Imagine que outra gente 
de profissão similar, 
farmacêuticos, coveiros, 
doutor de anel no anular, 
remando contra a corrente 
da gente que baixa ao mar, 
retirantes às avessas, 
sobem do mar para cá. 
Só os roçados da morte 
compensam aqui cultivar, 
e cultivá-los é fácil: 
simples questão de plantar 
não se precisa de limpa, 
as estiagens e as pragas 
fazemos mais prosperar 
e dão lucro imediato 
nem é preciso esperar 
pela colheita: recebe-se 
na hora mesma de semear. 

:: Postado por Cris Passinato às 01:00 AM
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O RETIRANTE CHEGA À ZONA DA 
MATA, QUE O FAZ PENSAR, OUTRA VEZ, 
EM INTERROMPER A VIAGEM. 
 
 
  

——  Bem me diziam que a terra 
se faz mais branda e macia 
quando mais do litoral 
a viagem se aproxima. 
Agora afinal cheguei 
nesta terra que diziam. 
Como ela é uma terra doce 
para os pés e para a vista. 
Os rios que correm aqui 
têm água vitalícia. 
Cacimbas por todo lado 
cavando o chão, água mina. 
Vejo agora que é verdade 
o que pensei ser mentira 
Quem sabe se nesta terra 
não plantarei minha sina? 
Não tenho medo de terra 
(cavei pedra toda a vida), 
e para quem lutou a braço 
contra a piçarra da Caatinga 
será fácil amansar 
esta aqui, tão feminina.  

Mas não avisto ninguém, 
só folhas de cana fina 
somente ali à distância 
aquele bueiro de usina 
somente naquela várzea 
um bangüê velho em ruína.  

Por onde andará a gente 
que tantas canas cultiva? 
Feriando: que nesta terra 
tão fácil, tão doce e rica, 
não é preciso trabalhar 
todas as horas do dia, 
os dias todos do mês, 
os meses todos da vida.  

Decerto a gente daqui 
jamais envelhece aos trinta 
nem sabe da morte em vida, 
vida em morte, severina 
e aquele cemitério ali, 
branco de verde colina, 
decerto pouco funciona 
e poucas covas aninha.

:: Postado por Cris Passinato às 01:00 AM
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ASSISTE AO ENTERRO DE UM 
TRABALHADOR DE EITO E OUVE O QUE 
DIZEM DO MORTO OS AMIGOS QUE O 
LEVARAM AO CEMITÉRIO 
 
 
  

——  Essa cova em que estás, 
com palmos medida, 
é a cota menor 
que tiraste em vida.  

——  é de bom tamanho, 
nem largo nem fundo, 
é a parte que te cabe  

neste latifúndio.  

——  Não é cova grande. 
é cova medida, 
é a terra que querias 
ver dividida.  

——  é uma cova grande 
para teu pouco defunto, 
mas estarás mais ancho 
que estavas no mundo.  

——  é uma cova grande 
para teu defunto parco, 
porém mais que no mundo 
te sentirás largo.  

——  é uma cova grande 
para tua carne pouca, 
mas a terra dada 
não se abre a boca. 
 
  

——  Viverás, e para sempre 
na terra que aqui aforas: 
e terás enfim tua roça.  

——  Aí ficarás para sempre, 
livre do sol e da chuva, 
criando tuas saúvas.  

——  Agora trabalharás 
só para ti, não a meias, 
como antes em terra alheia.  

——  Trabalharás uma terra 
da qual, além de senhor, 
serás homem de eito e trator.  

——  Trabalhando nessa terra, 
tu sozinho tudo empreitas: 
serás semente, adubo, colheita.  

——  Trabalharás numa terra 
que também te abriga e te veste: 
embora com o brim do Nordeste.  

——  Será de terra 
tua derradeira camisa: 
te veste, como nunca em vida.  

——  Será de terra 
e tua melhor camisa: 
te veste e ninguém cobiça.  

——  Terás de terra 
completo agora o teu fato: 
e pela primeira vez, sapato.  

——  Como és homem, 
a terra te dará chapéu: 
fosses mulher, xale ou véu.  

——  Tua roupa melhor  

será de terra e não de fazenda: 
não se rasga nem se remenda.  

——  Tua roupa melhor 
e te ficará bem cingida: 
como roupa feita à medida. 
 
  

——  Esse chão te é bem conhecido 
(bebeu teu suor vendido).  

——  Esse chão te é bem conhecido 
(bebeu o moço antigo)  

——  Esse chão te é bem conhecido 
(bebeu tua força de marido).  

——  Desse chão és bem conhecido 
(através de parentes e amigos).  

——  Desse chão és bem conhecido 
(vive com tua mulher, teus filhos)  

——  Desse chão és bem conhecido 
(te espera de recém-nascido). 
 
 
——  Não tens mais força contigo: 
deixa-te semear ao comprido.  

——  Já não levas semente viva: 
teu corpo é a própria maniva.  

——  Não levas rebolo de cana: 
és o rebolo, e não de caiana.  

——  Não levas semente na mão: 
és agora o próprio grão.  

——  Já não tens força na perna: 
deixa-te semear na coveta.  

——  Já não tens força na mão: 
deixa-te semear no leirão. 
 
  

——  Dentro da rede não vinha nada, 
só tua espiga debulhada.  

——  Dentro da rede vinha tudo, 
só tua espiga no sabugo.  

——  Dentro da rede coisa vasqueira, 
só a maçaroca banguela.  

——  Dentro da rede coisa pouca, 
tua vida que deu sem soca. 
 
  

——  Na mão direita um rosário, 
milho negro e ressecado.  

——  Na mão direita somente 
o rosário, seca semente.  

——  Na mão direita, de cinza, 
o rosário, semente maninha,  

——  Na mão direita o rosário, 
semente inerte e sem salto. 
 
 
——  Despido vieste no caixão, 
despido também se enterra o grão.  

——  De tanto te despiu a privação 
que escapou de teu peito à viração.  

——  Tanta coisa despiste em vida 
que fugiu de teu peito a brisa.  

——  E agora, se abre o chão e te abriga, 
lençol que não tiveste em vida.  

——  Se abre o chão e te fecha, 
dando-te agora cama e coberta.  

——  Se abre o chão e te envolve, 
como mulher com que se dorme.

:: Postado por Cris Passinato às 12:53 AM
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O RETIRANTE RESOLVE APRESSAR OS 
PASSOS PARA CHEGAR LOGO AO RECIFE

—— Nunca esperei muita coisa,
digo a Vossas Senhorias.
O que me fez retirar
não foi a grande cobiça
o que apenas busquei
foi defender minha vida
de tal velhice que chega
antes de se inteirar trinta
se na serra vivi vinte,
se alcancei lá tal medida,
o que pensei, retirando,
foi estendê-la um pouco ainda.
Mas não senti diferença
entre o Agreste e a Caatinga,
e entre a Caatinga e aqui a Mata
a diferença é a mais mínima. 

Está apenas em que a terra
é por aqui mais macia
está apenas no pavio,
ou melhor, na lamparina:
pois é igual o querosene
que em toda parte ilumina,
e quer nesta terra gorda
quer na serra, de caliça,
a vida arde sempre com
a mesma chama mortiça. 

Agora é que compreendo
por que em paragens tão ricas
o rio não corta em poços
como ele faz na Caatinga:
vivi a fugir dos remansos
a que a paisagem o convida,
com medo de se deter,
grande que seja a fadiga.
Sim, o melhor é apressar
o fim desta ladainha,
o fim do rosário de nomes
que a linha do rio enfia
é chegar logo ao Recife,
derradeira ave-maria
do rosário, derradeira
invocação da ladainha,
Recife, onde o rio some
e esta minha viagem se fina.

:: Postado por Cris Passinato às 12:53 AM
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CHEGANDO AO RECIFE O
RETIRANTE SENTA-SE PARA DESCANSAR
AO PÉ DE UM MURO ALTO E
CAIADO E OUVE, SEM SER NOTADO,
A CONVERSA DE DOIS COVEIROS
 
 
—— O dia hoje está difícil
não sei onde vamos parar.
Deviam dar um aumento,
ao menos aos deste setor de cá.
As avenidas do centro são melhores,
mas são para os protegidos:
há sempre menos trabalho
e gorjetas pelo serviço
e é mais numeroso o pessoal
(toma mais tempo enterrar os ricos).
—— pois eu me daria por contente
se me mandassem para cá. 

Se trabalhasses no de Casa Amarela
não estarias a reclamar.
De trabalhar no de Santo Amaro
deve alegrar-se o colega
porque parece que a gente
que se enterra no de Casa Amarela
está decidida a mudar-se
toda para debaixo da terra. 

—— é que o colega ainda não viu
o movimento: não é o que se vê.
Fique-se por aí um momento
e não tardarão a aparecer
os defuntos que ainda hoje
vão chegar (ou partir, não sei).
As avenidas do centro,
onde se enterram os ricos,
são como o porto do mar
não é muito ali o serviço:
no máximo um transatlântico
chega ali cada dia,
com muita pompa, protocolo,
e ainda mais cenografia. 

Mas este setor de cá
é como a estação dos trens:
diversas vezes por dia
chega o comboio de alguém. 

—— Mas se teu setor é comparado
à estação central dos trens,
o que dizer de Casa Amarela
onde não para o vaivém?
Pode ser uma estação
mas não estação de trem:
será parada de ônibus,
com filas de mais de cem. 

:: Postado por Cris Passinato às 12:52 AM
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—— Então por que não pedes,
já que és de carreira, e antigo,
que te mandem para Santo Amaro
se achas mais leve o serviço?
Não creio que te mandassem
para as belas avenidas
onde estão os endereços
e o bairro da gente fina:
isto é, para o bairro dos usineiros,
dos políticos, dos banqueiros,
e no tempo antigo, dos bangunlezeiros
(hoje estes se enterram em carneiros)
bairro também dos industriais,
dos membros das
associações patronais
e dos que foram mais horizontais 

nas profissões liberais.
Difícil é que consigas
aquele bairro, logo de saída. 

—— Só pedi que me mandasse
para as urbanizações discretas,
com seus quarteirões apertados,
com suas cômodas de pedra. 

—— Esse é o bairro dos funcionários,
inclusive extranumerários,
contratados e mensalistas
(menos os tarefeiros e diaristas).
Para lá vão os jornalistas,
os escritores, os artistas
ali vão também os bancários,
as altas patentes dos comerciários,
os lojistas, os boticários,
os localizados aeroviários
e os de profissões liberais
que não se libertaram jamais. 

—— Também um bairro dessa gente
temos no de Casa Amarela:
cada um em seu escaninho,
cada um em sua gaveta,
com o nome aberto na lousa
quase sempre em letras pretas.
Raras as letras douradas,
raras também as gorjetas. 

—— Gorjetas aqui, também,
só dá mesmo a gente rica,
em cujo bairro não se pode
trabalhar em mangas de camisa
onde se exige quepe
e farda engomada e limpa. 

—— Mas não foi pelas gorjetas, não,
que vim pedir remoção:
é porque tem menos trabalho
que quero vir para Santo Amaro
aqui ao menos há mais gente
para atender a freguesia,
para botar a caixa cheia
dentro da caixa vazia. 

—— E que disse o Administrador,
se é que te deu ouvido? 

—— Que quando apareça a ocasião
atenderá meu pedido. 

—— E do senhor Administrador
isso foi tudo que arrancaste? 

—— No de Casa Amarela me deixou
mas me mudou de arrabalde. 

—— E onde vais trabalhar agora,
qual o subúrbio que te cabe? 

—— Passo para o dos industriários,
que também é o dos ferroviários,
de todos os rodoviários
e praças-de-pré dos comerciários. 

—— Passas para o dos operário,
deixas o dos pobres vários
melhor: não são tão contagiosos
e são muito menos numerosos. 

—— é, deixo o subúrbio dos indigentes
onde se enterra toda essa gente
que o rio afoga na preamar
e sufoca na baixa-mar. 

—— é a gente sem instituto,
gente de braços devolutos
são os que jamais usam luto
e se enterram sem salvo-conduto. 

—— é a gente dos enterros gratuitos
e dos defuntos ininterruptos. 

—— é a gente retirante
que vem do Sertão de longe. 

—— Desenrolam todo o barbante
e chegam aqui na jante. 

—— E que então, ao chegar,
não tem mais o que esperar. 

—— Não podem continuar
pois têm pela frente o mar. 

—— Não têm onde trabalhar
e muito menos onde morar. 

—— E da maneira em que está
não vão ter onde se enterrar. 

—— Eu também, antigamente,
fui do subúrbio dos indigentes,
e uma coisa notei
que jamais entenderei:
essa gente do Sertão
que desce para o litoral, sem razão,
fica vivendo no meio da lama,
comendo os siris que apanha
pois bem: quando sua morte chega,
temos que enterrá-los em terra seca. 

—— Na verdade, seria mais rápido
e também muito mais barato
que os sacudissem de qualquer ponte
dentro do rio e da morte. 

—— O rio daria a mortalha
e até um macio caixão de água
e também o acompanhamento
que levaria com passo lento
o defunto ao enterro final
a ser feito no mar de sal. 

—— E não precisava dinheiro,
e não precisava coveiro,
e não precisava oração
e não precisava inscrição. 

—— Mas o que se vê não é isso: 

é sempre nosso serviço
crescendo mais cada dia
morre gente que nem vivia. 

—— E esse povo de lá de riba
de Pernambuco, da Paraíba,
que vem buscar no Recife
poder morrer de velhice,
encontra só, aqui chegando
cemitério esperando. 

—— Não é viagem o que fazem
vindo por essas caatingas, vargens
aí está o seu erro:
vêm é seguindo seu próprio enterro.
 

:: Postado por Cris Passinato às 12:52 AM
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O RETIRANTE APROXIMA-SE DE
UM DOS CAIS DO CAPIBARIBE

  

—— Nunca esperei muita coisa, 
é preciso que eu repita. 
Sabia que no rosário 
de cidade e de vilas, 
e mesmo aqui no Recife 
ao acabar minha descida, 
não seria diferente 
a vida de cada dia: 
que sempre pás e enxadas 
foices de corte e capina, 
ferros de cova, estrovengas 
o meu braço esperariam. 
Mas que se este não mudasse 
seu uso de toda vida, 
esperei, devo dizer, 
que ao menos aumentaria 
na quartinha, a água pouca, 
dentro da cuia, a farinha, 
o algodãozinho da camisa, 
ao meu aluguel com a vida.  

E chegando, aprendo que, 
nessa viagem que eu fazia, 
sem saber desde o Sertão, 
meu próprio enterro eu seguia. 
Só que devo ter chegado 
adiantado de uns dias 
o enterro espera na porta: 
o morto ainda está com vida. 
A solução é apressar 
a morte a que se decida 
e pedir a este rio, 
que vem também lá de cima, 
que me faça aquele enterro 
que o coveiro descrevia: 
caixão macio de lama, 
mortalha macia e líquida, 
coroas de baronesa 
junto com flores de aninga, 
e aquele acompanhamento 
de água que sempre desfila 
(que o rio, aqui no Recife, 
não seca, vai toda a vida). 

:: Postado por Cris Passinato às 12:51 AM
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APROXIMA-SE DO RETIRANTE O 
MORADOR DE UM DOS MOCAMBOS 
QUE EXISTEM ENTRE O CAIS 
E A ÁGUA DO RIO 
 
  

—— Seu José, mestre carpina, 
que habita este lamaçal, 
sabes me dizer se o rio 
a esta altura dá vau? 
sabe me dizer se é funda 
esta água grossa e carnal?  

—— Severino, retirante, 
jamais o cruzei a nado 
quando a maré está cheia 
vejo passar muitos barcos, 
barcaças, alvarengas, 
muitas de grande calado.  

—— Seu José, mestre carpina, 
para cobrir corpo de homem 
não é preciso muito água: 
basta que chega o abdome, 
basta que tenha fundura 
igual à de sua fome.  

—— Severino, retirante 
pois não sei o que lhe conte 
sempre que cruzo este rio 
costumo tomar a ponte 
quanto ao vazio do estômago, 
se cruza quando se come.  

—— Seu José, mestre carpina, 
e quando ponte não há? 
quando os vazios da fome 
não se tem com que cruzar? 
quando esses rios sem água 
são grandes braços de mar?  

—— Severino, retirante, 
o meu amigo é bem moço 
sei que a miséria é mar largo, 
não é como qualquer poço: 
mas sei que para cruzá-la 
vale bem qualquer esforço.  

—— Seu José, mestre carpina, 
e quando é fundo o perau? 
quando a força que morreu 
nem tem onde se enterrar, 
por que ao puxão das águas 
não é melhor se entregar?  

—— Severino, retirante, 
o mar de nossa conversa 
precisa ser combatido, 
sempre, de qualquer maneira, 
porque senão ele alarga 
e devasta a terra inteira.  

—— Seu José, mestre carpina, 
e em que nos faz diferença 
que como frieira se alastre, 
ou como rio na cheia, 
se acabamos naufragados 
num braço do mar miséria?  

—— Severino, retirante, 
muita diferença faz 
entre lutar com as mãos 
e abandoná-las para trás, 
porque ao menos esse mar 
não pode adiantar-se mais.  

—— Seu José, mestre carpina, 
e que diferença faz 
que esse oceano vazio 
cresça ou não seus cabedais 
se nenhuma ponte mesmo 
é de vencê-lo capaz?  

—— Seu José, mestre carpina, 
que lhe pergunte permita: 
há muito no lamaçal 
apodrece a sua vida? 
e a vida que tem vivido 
foi sempre comprada à vista?  

—— Severino, retirante, 
sou de Nazaré da Mata, 
mas tanto lá como aqui 
jamais me fiaram nada: 
a vida de cada dia 
cada dia hei de comprá-la.  

—— Seu José, mestre carpina, 
e que interesse, me diga, 
há nessa vida a retalho 
que é cada dia adquirida? 
espera poder um dia 
comprá-la em grandes partidas?  

—— Severino, retirante, 
não sei bem o que lhe diga: 
não é que espere comprar 
em grosso tais partidas, 
mas o que compro a retalho 
é, de qualquer forma, vida.  

—— Seu José, mestre carpina, 
que diferença faria 
se em vez de continuar 
tomasse a melhor saída: 
a de saltar, numa noite, 
fora da ponte e da vida? 
 
 
  

UMA MULHER, DA PORTA DE 
ONDE SAIU O HOMEM, 
ANUNCIA-LHE O QUE SE VERÁ 
 
 
 —— Compadre José, compadre, 
que na relva estais deitado: 
conversais e não sabeis 
que vosso filho é chegado? 
Estais aí conversando 
em vossa prosa entretida: 
não sabeis que vosso filho 
saltou para dentro da vida? 
Saltou para dento da vida 
ao dar o primeiro grito 
e estais aí conversando 
pois sabeis que ele é nascido.

:: Postado por Cris Passinato às 12:50 AM
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APARECEM E SE APROXIMAM DA CASA DO 
HOMEM VIZINHOS, 
AMIGOS, DUAS CIGANAS, ETC 
 
 
  

—— Todo o céu e a terra 
lhe cantam louvor. 
Foi por ele que a maré 
esta noite não baixou.  

—— Foi por ele que a maré 
fez parar o seu motor: 
a lama ficou coberta 
e o mau-cheiro não voou.  

—— E a alfazema do sargaço, 
ácida, desinfetante, 
veio varrer nossas ruas 
enviada do mar distante.  

—— E a língua seca de esponja 
que tem o vento terral 
veio enxugar a umidade 
do encharcado lamaçal. 
 
  

—— Todo o céu e a terra 
lhe cantam louvor 
e cada casa se torna 
num mocambo sedutor.  

—— Cada casebre se torna 
no mocambo modelar 
que tanto celebram os 
sociólogos do lugar.  

—— E a banda de maruins 
que toda noite se ouvia 
por causa dele, esta noite, 
creio que não irradia.  

—— E este rio de água, cega, 
ou baça, de comer terra, 
que jamais espelha o céu, 
hoje enfeitou-se de estrelas.

:: Postado por Cris Passinato às 12:48 AM
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COMEÇAM A CHEGAR PESSOAS 
TRAZENDO PRESENTES PARA 
O RECÉM-NASCIDO 

COMEÇAM A CHEGAR PESSOAS TRAZENDO 
PRESENTES PARA 
O RECÉM-NASCIDO 
 
 
  

——  Minha pobreza tal é 
que não trago presente grande: 
trago para a mãe caranguejos 
pescados por esses mangues 
mamando leite de lama 
conservará nosso sangue.  

——  Minha pobreza tal é 
que coisa alguma posso ofertar: 
somente o leite que tenho 
para meu filho amamentar 
aqui todos são irmãos, 
de leite, de lama, de ar.  

——  Minha pobreza tal é 
que não tenho presente melhor: 
trago este papel de jornal 
para lhe servir de cobertor 
cobrindo-se assim de letras 
vai um dia ser doutor.  

——  Minha pobreza tal é 
que não tenho presente caro: 
como não posso trazer 
um olho d'água de Lagoa do Cerro, 
trago aqui água de Olinda, 
água da bica do Rosário. 
 
  

——  Minha pobreza tal é 
que grande coisa não trago: 
trago este canário da terra 
que canta sorrindo e de estalo.  

——  Minha pobreza tal é 
que minha oferta não é rica: 
trago daquela bolacha d'água 
que só em Paudalho se fabrica.  

——  Minha pobreza tal é 
que melhor presente não tem: 
dou este boneco de barro 
de Severino de Tracunhaém.  

——  Minha pobreza tal é 
que pouco tenho o que dar: 
dou da pitu que o pintor Monteiro 
fabricava em Gravatá. 
 
  

——  Trago abacaxi de Goiana 
e de todo o Estado rolete de cana.  

——  Eis ostras chegadas agora, 
apanhadas no cais da Aurora.  

——  Eis tamarindos da Jaqueira 
e jaca da Tamarineira.  

——  Mangabas do Cajueiro 
e cajus da Mangabeira. 
 
  

——  Peixe pescado no Passarinho, 
carne de boi dos Peixinhos.  

——  Siris apanhados no lamaçal 
que já no avesso da rua Imperial.  

——  Mangas compradas nos quintais ricos 
do Espinheiro e dos Aflitos.  

——  Goiamuns dados pela gente pobre 
da Avenida Sul e da Avenida Norte.
 

:: Postado por Cris Passinato às 12:48 AM
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 FALAM AS DUAS CIGANAS QUE HAVIAM 
APARECIDO COM OS VIZINHOS 
 
 
  

——  Atenção peço, senhores, 
para esta breve leitura: 
somos ciganas do Egito, 
lemos a sorte  futura. 
Vou dizer todas as coisas 
que desde já posso ver 
na vida desse menino 
acabado de nascer: 
aprenderá a engatinhar 
por aí, com aratus, 
aprenderá a caminhar 
na lama, como goiamuns, 
e a correr o ensinarão 
o anfíbios caranguejos, 
pelo que será anfíbio 
como a gente daqui mesmo. 
Cedo aprenderá a caçar: 
primeiro, com as galinhas, 
que é catando pelo chão 
tudo o que cheira a comida 
depois, aprenderá com 
outras espécies de bichos: 
com os porcos nos monturos, 
com os cachorros no lixo. 
Vejo-o, uns anos mais tarde, 
na ilha do Maruim, 
vestido negro de lama, 
voltar de pescar siris 
e vejo-o, ainda maior, 
pelo imenso lamarão 
fazendo dos dedos iscas 
para pescar camarão. 
 
  

——  Atenção peço, senhores, 
também para minha leitura: 
também venho dos Egitos, 
vou completar a figura. 
Outras coisas que estou vendo 
é necessário que eu diga: 
não ficará a pescar 
de jereré toda a vida. 
Minha amiga se esqueceu 
de dizer todas as linhas 
não pensem que a vida dele 
há de ser sempre daninha. 
Enxergo daqui a planura 
que é a vida do homem de ofício, 
bem mais sadia que os mangues, 
tenha embora precipícios. 
Não o vejo dentro dos mangues, 
vejo-o dentro de uma fábrica: 
se está negro não é lama, 
é graxa de sua máquina, 
coisa mais limpa que a lama 
do pescador de maré 
que vemos aqui vestido 
de lama da cara ao pé. 
E mais: para que não pensem 
que em sua vida tudo é triste, 
vejo coisa que o trabalho 
talvez até lhe conquiste: 
que é mudar-se destes mangues 
daqui do Capibaribe 
para um mocambo melhor 
nos mangues do Beberibe.

:: Postado por Cris Passinato às 12:47 AM
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FALAM OS VIZINHOS, AMIGOS, PESSOAS QUE 
VIERAM COM PRESENTES, ETC 
 
 
  

——  De sua formosura 
já venho dizer: 
é um menino magro, 
de muito peso não é, 
mas tem o peso de homem, 
de obra de ventre de mulher.  

——  De sua formosura 
deixai-me que diga: 
é uma criança pálida, 
é uma criança franzina, 
mas tem a marca de homem, 
marca de humana oficina.  

——  Sua formosura 
deixai-me que cante: 
é um menino guenzo 
como todos os desses mangues, 
mas a máquina de homem 
já bate nele, incessante.  

——  Sua formosura 
eis aqui descrita: 
é uma criança pequena, 
enclenque e setemesinha, 
mas as mãos que criam coisas 
nas suas já se adivinha. 
 
  

——  De sua formosura 
deixai-me que diga: 
é belo como o coqueiro 
que vence a areia marinha.  

——  De sua formosura 
deixai-me que diga: 
belo como o avelós 
contra o Agreste de cinza.  

——  De sua formosura 
deixai-me que diga: 
belo como a palmatória 
na caatinga sem saliva.  

——  De sua formosura 
deixai-me que diga: 
é tão belo como um sim 
numa sala negativa. 
 
  

——  é tão belo como a soca 
que o canavial multiplica.  

——  Belo porque é uma porta 
abrindo-se em mais saídas.  

——  Belo como a última onda 
que o fim do mar sempre adia.  

——  é tão belo como as ondas 
em sua adição infinita. 
 
  

——  Belo porque tem do novo 
a surpresa e a alegria.  

——  Belo como a coisa nova 
na prateleira até então vazia.  

——  Como qualquer coisa nova 
inaugurando o seu dia.  

——  Ou como o caderno novo 
quando a gente o principia. 
 
  

——  E belo porque o novo 
todo o velho contagia.  

——  Belo porque corrompe 
com sangue novo a anemia.  

——  Infecciona a miséria 
com vida nova e sadia.  

——  Com oásis, o deserto, 
com ventos, a calmaria.
 

:: Postado por Cris Passinato às 12:46 AM
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O CARPINA FALA COM O RETIRANTE QUE 
ESTEVE DE FORA, 
SEM TOMAR PARTE DE NADA 
 
 
  

——  Severino, retirante, 
deixe agora que lhe diga: 
eu não sei bem a resposta 
da pergunta que fazia, 
se não vale mais saltar 
fora da ponte e da vida 
nem conheço essa resposta, 
se quer mesmo que lhe diga 
é difícil defender, 
só com palavras, a vida, 
ainda mais quando ela é 
esta que vê, severina 
mas se responder não pude 
à pergunta que fazia, 
ela, a vida, a respondeu 
com sua presença viva. 
 
  

E não há melhor resposta 
que o espetáculo da vida: 
vê-la desfiar seu fio, 
que também se chama vida, 
ver a fábrica que ela mesma, 
teimosamente, se fabrica, 
vê-la brotar como há pouco 
em nova vida explodida 
mesmo quando é assim pequena 
a explosão, como a ocorrida 
como a de há pouco, franzina 
mesmo quando é a explosão 
de uma vida severina.

:: Postado por Cris Passinato às 12:46 AM
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Morte e Vida Severina

:: Postado por Cris Passinato às 12:38 AM
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:: Postado por Cris Passinato às 12:01 AM
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Bjs

:: Postado por Cris Passinato às 12:00 AM
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